Postagens com o marcador velho aporias

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Elvis Perkins: Elvis Perkins In Dearland, 2009

★★★★

O ano de 2009 continua trazendo boas surpresas. Este belo projeto do compositor, vocalista, violonista e filho do Norman Bates, digo, Anthony Perkins é uma delas.

Com um sólido e criativo acompanhamento de instrumentos pouco comuns pro gênero, como tuba, saxofones, clarinetes e outros horns, o folk de Elvis Perkins tem retrogosto de Dylan com Neil Young e Leonard Cohen, sem, no entanto, correr o risco de ser rotulado como imitação de algum deles.

Tem lá seu DNA musical próprio, falando de morte com leveza e elegância. Na real, se você não prestar atenção nas letras, parece mais uma celebração à vida.

Ouça a primeira faixa aqui [aperte o play acima].

Ou siga o MySpace

Site oficial

música pra ouvir: Shampoo

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Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, 1995

★★★★½

Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.

Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.

Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.

Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.

Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.

Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.

A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc

O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.

Site Oficial

música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)

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riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!

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DeLeon: DeLeon, 2008

★★★★

Bela surpresa este disco.

Numa mistura original de rock indie, pop, folk, música cigana e sefardita (judaica, vinda de Portugal e Espanha), as auto-denominadas “melodias da pré-Inquisição pós-modernizadas” do quinteto DeLeon são deliciosas de ouvir.

O álbum dessa banda novaiorquina liderada pelo vocalista e guitarrista Dan Saks já mostra maturidade impressionante para o primeiro disco de uma banda formada em abril do ano passado.

As músicas, cantadas em inglês, hebraico ou ladino, além das influências citadas acima, trazem nacos modernos de Animal Collective, Talking Heads ou até Dengue Fever (com quem já fizeram tour).

O mais puro 15th Century Spanish Indie Rock!

MySpace oficial com mais 2 músicas pra escutar.

Aqui você vê o clipe produzido pela própria banda na turnê com Mike Gordon e Balkan Beat Box.

música pra ouvir: La Ner V’Livsamim

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Bruno Scartozzoni 27/01/2010 às 7:17 pm Alguém sabe onde baixar esse album? Procurei nos quatro cantos da web e não encontrei.

henrík 26/11/2008 às 10:13 pm soa estranho parece turco gostei.

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7 reproduções

Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1, 2008

★★★★★

Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.

Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.

Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).

Abre parênteses.

Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.

MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.

Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.

Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.

Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.

Fecha parênteses.

A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.

Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.

Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.

Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.

Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.

Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.

A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P

Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.

Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.

A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.

E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!

(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

Zaebos’ /></p>

<p><a href="http://www.mmw.net/">Site oficial</a></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/medeskimartinandwood">Myspace</a></p>

<p>música pra ouvir: <i>Reliquary</i></p> </body></html>

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10 reproduções

Roger Roger: Musique Idiote, 1971

★★★½

Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?

Não tema!

Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.

São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.

E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.

Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.

Roger Roger na wikipedia

música pra ouvir: Duetto

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André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.

Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…

Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!

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The Thing: Garage, 2004

★★★★½

Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.

O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria. Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.

Originalmente formado para tocar músicas de Don Cherry, o trio foi gradativamente incluindo músicas próprias a seus discos, sem, no entanto, esquecer as versões: de Ornette Colemann (ah vá!?) a Lightning Bolt, tudo passa pelo Filtro The Thing.

Esse filtro tem uma característica marcante: o tocar de Gustafsson. O saxofonista começou a carreira cedo - aos 14 anos, pegou o bocal do seu sax e encaixou na antiga flauta, criando seu flautofone (fluteophone). Tocou com AALY Trio, Two Slices of Acoustic Car, Derek Bailey’s Company, Ken Vandermark, Peter Brotzmann, Sonic Youth, só pra citar alguns exemplos.

Avesso a tradições, explora dezenas de técnicas de seu instrumento, tanto de respiração quanto até microtons. Essas variações vão do sutil ao denso em microsegundos, com competência e estilo singulares.

Se você gostar dessa música do post, pode ir atrás de qualquer álbum dos caras. É garantido. Pena que é tão difícil achar informações completas dessa banda na web.

Agressivo, coalhado de improviso, experimentalismo e qualquer outro ismo que você quiser, The Thing espõe as víceras do jazz, sem medo de sangue.

Site do selo Smalltown Superjazz

wikipedia

Introduction @ paalnilssen-love

música pra ouvir: Aluminium

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Carlos Bêla 15/08/2008 às 3:41 pm Fala Sergio! Já ouvi falar mas nunca escutei. Valeu a dica, vou atrás e te digo! Abraço

sergio stefano 15/08/2008 às 3:13 pm Cara, vc já ouviu God is an Astronault? Acho que vai gostar. abs

Alessandra Tussi 28/07/2008 às 6:30 pm Feliz aniversário amanhã! :D

Carlos Bêla 06/07/2008 às 5:40 pm Fala Bruno, bem lembrado! Não por acaso, o Zu já gravou um disco com o próprio Mats Gustafsson chamado “How To Raise An Ox”. http://www.lastfm.com.br/music/Zu+%26+Mats+Gustafsson Abraço

Bruno 06/07/2008 às 10:24 am Quando vi o “punk com baixo acústico e bateria” me lembrei do Zu, da Itália. Banda muito boa, que segue esse estilo. Altamente recomendado.

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Stanton Moore Trio: Emphasis! (On Parenthesis), 2008

★★★★

Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.

Emphasis! (On Parenthesis) é o mais recente disco solo de Moore, o quarto de sua carreira que começou nos primeiros anos da década de 90 com o (então) sexteto de Nova Orleans de jazz-funk Galactic. De lá pra cá o baterista participou de inúmeros projetos, de R&B a jazz, passando até por uma contribuição com o punk-metal do Corrosion of Conformity.

Esse disco é um ótimo exemplo do que Stanton Moore pode oferecer ao gênero hoje tão bem representado por Medeski, Martin & Wood (embora o trio seja eclético o suficiente para não ser encaixado em um único gênero).

Liderando o trio que conta também com Will Bernard (guitarra) e Robert Walter (hammond B3, piano e outras teclas), o compositor apresenta 11 músicas impossíveis de não acompanhar batendo o pezinho ou socando o volante do carro. Grooves, breakbeats, guitarras sincopadas, órgãos tradiças e uma fome por uma rítmica complexa porém acessível.

O trio dá até umas arriscadas em uns temas mais rock como, por exemplo, a (Who Ate The) Layer Cake? (os títulos de todas as faixas contém indicações entre-parenteses). Mas é na quebradeira funk que a coisa fica realmente séria, como você pode ouvir na faixa abaixo.

Dá pra ir sem medo nos outros álbuns solos dele, apesar de achar o primeiro, All Kooked Out (1998), o mais fraco dos quatro.

Grooovy, baby! ;)

Site oficial com várias músicas para escutar.

música pra ouvir: Over (Compensatin’)

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Mark Feldman: Music For Violin Alone, 1995

★★★★★

É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc

E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?

Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.

Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!

A lista de colaborações é gigantesca, mas compondo como líder de algum projeto, por enquanto, ele lançou apenas oito álbuns e este Music for Violin Alone é o primeiro deles, de 1995.

O que já pode ser notado de pouco usual logo de cara é a dica que o título dá: apenas um único violino. Sozinho, sem overdubs, nada. Tipo como se o cara tivesse em casa, à vontade, com o REC do aparelho da sala ligado.

São 11 faixas que não te fazem, em momento algum, sentir falta de outro instrumento. Feldman tem um domínio absoluto do seu instrumento. É de um ecletismo ímpar, tanto nas composições tipo clássico contemporâneo vs. avant-garde, como na interpretação.

O arco do violinho vira quase uma segunda voz, de tantas texturas, cores e nuances que ele consegue produzir: vai de glissandos delicados a “serras metálicas” dramáticas; com controle e elegância.

De novo, eu poderia ficar horas escrevendo e falando sobre esse cara; mas acho melhor parar por aqui. A nota lá em cima e o preview aqui em baixo (a segunda faixa, Jet, de quase 9 minutos) falam por si.

Site oficial

música pra ouvir: Jet

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Madeleine Peyroux: Dreamland, 1996

★★★★

Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.

- Garçon!

- Boa noite, senhor?

- Bela noite. Veja a lua!

- Deseja um drink, senhor?

- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.

- Perfeitamente, senhor. Com licença.

- Obrigado.

O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado. Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.

La Vie En Rose começa e penso “ok, de novo mais um desses Jazz de Bar de Hotel™”. Logo no primeiro minuto já dá pra notar que a coisa não é bem por aí.

Olho com mais atenção para o guitarrista, discreto… Não seria o Marc Ribot? Uhmm… Certeza! Eu reconheceria o jeito dele tocar de olhos fechados. Do lado é o… como chama mesmo?… Greg Cohen! Isso. Kenny Wollison do outro lado? James Carter? Cyrus Chestnu? Vernon Reid? Pera, isso tá ficando bom.

Meu drink chega.

- Obrigado.

Droga, puzeram muito açúcar.

Que seja, o som tá bom.

Essas músicas me soam muito bem. São bem tradicionais, aquela coisa tranquila com gosto de Billie Holiday, mas nem todas as músicas são conhecidas. Ela deve compor também, além de interpretar deliciosamente bem.

Meu telefone toca.

- Ah, você vai se atrasar mais? Tudo bem.

Os temas vão se desenvolvendo com uma delicadeza ímpar: swing standards, blues, country e folk com clima anos 20 e 30. Entre composições próprias (descobri perguntando pro senhor de gravata púrpura da mesa do lado, que parece ser fã de longa data), aparecem um Fats Waller, Bessie Smith e a já citada Billie Holiday. Pra tocar a “Always a Use”, ela mesma assume o violão.

- Garçom, mais um whisky sour! Ah! E outra porção de amendoim, por favor.

Excelente. Aquele piano tá ótimo. Básico, perfeitamente bem tocado, nenhuma nota a mais ou a menos.

Que voz!

Mas será possível, esse barman tá com problema no açucareiro!

Uhmm… bem, acho que tenho que ir agora. Últimos goles.

Aproveito pra comprar o CD na porta do bar. É de 1996, lançado pela Atlantic. Nunca tinha ouvido falar dela, mas parece que é famosa. A Time considerou esse disco como “a mais excitante, envolvente performance vocal feita por uma nova cantora no ano (de 96)”, seja lá o que isso queira dizer.

Fiquei sabendo depois, pelo barman, ao reclamar do excesso de açúcar de seus drinks, que ela sumiu depois desse disco e só voltou em 2004. Aí, lançou 3 discos, sendo o último em 2006, com participação de K.D. Lang e tocando, além das composições próprias novas, canções de Serge Gainsbourg e Tom Waits.

Voilá!

Agora vou jantar. Longe daquele barman.

Não sei porque não pedi um vinho…

Site oficial com todas suas músicas pra escutar.

Veja seus videos no last.fm

música pra ouvir: I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter

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jvlav 07/04/2008 às 9:21 pm como sempre um bom post ! abraço

Brian Morris 01/04/2008 às 3:26 pm Em 1996, estava num restaurante curtindo minha comida italiano quando ouvia numa música muita boa no outro parte do restaurante. A voz dela era bem paricido de Billie Holiday. Pensei, que legal eles está tocando ela. Pensei de novo, hmmm, o sound system tem alta qualidade, parece Billie está lá! Com curiosidade, fui lá. Era Madeleine Peyroux, cantando, tocando uma violão (Terence Blanchard tocando trompete). Deixe minha comida pra lá, heh. Depois, conversei um pouco com ela, comprei um CD. Desde aquele dia, sou fã #1 dela.

Carlos Bêla 23/03/2008 às 8:56 pm valeu dudu! espero que tenha curtido o som também! abraço

dudu colmeia.tv 23/03/2008 às 6:04 pm belo post, meu velho

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Giraffes? Giraffes!: More Skin With Milk-Mouth, 2007

★★★★

Girafas? Sim, girafas.

Só o nome da banda já dá vontade de baixar o álbum, nem que seja pra uma espiadela rapidita no som.

Pois. Fiz. E não é que não é só de nome que os caras são bons?

A dupla de Post/Math-Rock formada por Joseph Andreoli e Kenneth Topham faz um som que lembra principalmente The Advantage, mas também Hella e outros similares: melodias simples, repetitivas e frenéticas, tempo rápido, construção inteligente. Deve ser bem legal ver isso ao vivo.

Ouvir? Ouvir!

Confira o MySpace oficial que tem 6 faixas disponíveis pra auscutar, fora o exemplo acima que é praticamente um progressivo matemático. [aperte o play]

música pra ouvir: I Am S/H(im)e[r] As You Am S/H(im)e[r] As You Are Me And We Am I And I Are All Our Together: Our Collective Consciousness‚ Psyc

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Renan Molin 29/05/2008 às 12:21 am Coisa fina Giraffes hein? Não connhecia, mas gostei bastante, um mix de Dream Theater com Crystal Casltes, se é que isso é possível! Me lembrou isso: http://www.myspace.com/frommonumenttomasses abraço

Medina 13/03/2008 às 3:38 pm olha que coisa linda: http://www.youtube.com/watch?v=B0KUTj7vNS0

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The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.

A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.

Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).

Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.

Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.

Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)

Site Oficial

música pra ouvir: Take The Z-Train

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Les Luthiers: Sonamos, Pese a Todo, 1971

por Marcio Nigro

★★★★★

Johann Sebastian Mastropiero é, provavelmente, o compositor fictício mais criativo de todos os tempos. Não conhece? Mas do Les Luthiers você certamente já ouviu falar? Não? Isso talvez se deva ao fato de que você fala português em vez de espanhol.

Criado em 1967, na capital argentina, o Les Luthiers é conjunto musical humorístico mais inventivo e ativo de todos os tempos. Aliás, é um dos fenômenos musicais mais indefiníveis que conheço, o que justifica sua aparição aqui no Aporias .

Durante seus 40 anos de existência, esse quinteto (que começou hepteto, depois sexteto) satirizou diversos estilos: da guarânia ao rock, do tango ao brega, da ópera à bossa nova, em turnês mundiais pelos países de língua hispânica e inclusive os EUA e o Brasil (em 1977 e 1980), com espetáculos em inglês e português, respectivamente.

O que atrai milhares de pessoas aos seus espetáculos não é apenas o fato de serem cantores, multi-instrumentista e compositores incrivelmente habilidosos e geniais. E nem somente a facilidade com que transitam entre o humor ultra sofisticado e o puro pastelão sem perder a classe e o hilariante humor. Mas também o fato de tocarem dezenas de instrumentos informais que foram concebidos por eles próprios (eles contam com um luthier que se dedica exclusivamente a isso).

Afinal, onde mais você verá — e ouvirá — um Latín, um violino feito com lata de presunto? Ou quem sabe o Tubófano Silicônico Cromático, uma espécie de flauta pan construída com tubos de ensaio? Ou ainda o Dactilófano (ou Máquina de Tocar) uma máquina de escrever misturada com xilofone? A cada novo espetáculo do Les Luthiers, um novo instrumento é apresentado, causando delírio na platéia que pode ver ao vivo de onde vem os sons que em seus apenas oito álbum é difícil identificar. Impossível não ficar admirado com um Baixo Barríltono (um baixo acústico feito com um grande barril de madeira deslizante com um músico dentro) ou uma Mandocleta (uma mistura de bicicleta e mandolina) , por exemplo.

Pessoalmente, nunca pude ver o show com meu corpo presente, mas felizmente o grupo já lançou vários DVDs com apresentações de diferentes épocas. Recomendo começar pelo DVD Mastropiero que Nunca, de 1979, que traz o Les Luthiers no ápice, quando ainda era um sexteto. Só para ter uma idéia, em um dos número o excelente pianista Carlos Nunes tem acoplado ao instrumento um espelho retrovisor para ver os demais integrantes à suas costas. Maravilhoso!

E por falar em Mastropiero, é impossível falar em Les Luthiers sem falar em Johann Sebastian Mastropiero, o músico imaginário que é “compositor” de boa parte das obras do conjunto. E para se inciar nas obras de Mastropiero nada melhor do que falar do primeiro álbum do Les Luthiers, Sonamos, Pese a Todo.

Difícil dizer se o disco de estréia é o melhor, mas certamente é o lugar certo pra começar a entender o conjunto. Primeiro porque, logo de saída, são apresentado alguns dos instrumentos informais.

Segundo, dois dos maiores clássicos do Les Luthiers encontram-se nesse álbum. A faixa Concerto Grosso alla Rústica é um primor na união de sofisticação musical, misturando uma orquestras de câmera e um conjunto de música andina com maestria. Nela não há uma piada explícita, o que a torna ainda mais fenomenal, pois só a beleza da composição é suficiente [clique no play deste post]

Já o Teorema de Thales musicado é completamente improvável e imperdível.

Qualquer CD do Les Luthiers vale a pena e é difícil dizer qual é meu favorito. Provavelmente os dois gravados ao vivo: Mastropiero que Nunca (1979) e Hacen Muchas Gracias de Nada (1980, com o clássica La Gajina Dijo Eureka), pois são geniais do começo ao fim.

Agora, talvez seja mais fácil encontrar as músicas a granel. Por isso, para os interessados, aqui vão os melhores momentos de cada álbum que pode ajudar a ir direto ao ponto:

Cantata Laxatón (1972) Bolero Matropiero Pieza en forma de Tango Vals del Segundo

Vol. 3 (1973) Voglio Entrare per la Finestra La Bossa Nostra Romanza Escocesa sin Palabras

Vol. 4 (1976) Teresa y El Oso Mi Aventura por la India Serena Mariacchi

Vol. 7 (1983) Homeje a Huesito Williams

Cardoso en Gulevandia (1991) Una Canción Regia Sólo Necessitamos Añoralgias

É claro que ajuda muito entender espanhol para se apaixonar pelo Les Luthiers. Muitas faixas começam com uma nota explicativa — narrada pela voz bombástica de Marcos Mundstock — sobre o contexto da música na obra de Mastropiero. Além disso, tantos nos álbuns de estúdio como principalmente nos dois ao vivo, existem muitos quadros e histórias musicadas. Sem a compreensão do idioma, muito se perde.

A boa notícia é que os DVDs trazem a opção de legenda em português, o que é bom inclusive pra quem conhece melhor o idioma, pois há muitos trocadilhos e coisas do gênero. Por outro lado, talvez seja missão impossível encontrá-los aqui no Brasil. O jeito é comprar on-line ou pedir para algum amigo que esteja indo pra Buenos Aires comprar.

Enfim, se vira.

Sítio oficial

Wikipedia (espanhol)

música pra ouvir: Concerto Grosso alla Rústica

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fernando 25/06/2010 às 11:03 pm Tive a grande ventura de assistir a um espectaculo deste conjunto em Cordoba, ESpanha, em 1997 (98 talvez) e foi simplesmente espetacular

Vera Coutinho 22/03/2010 às 1:29 pm Eu tive o privilégio de assisti-los na década de 70, período muito triste para a Argentina e podem acreditar: eles deixam a platéia sem fôlego. São incomparáveis.

Lulu 26/11/2007 às 11:04 am Cantata Laxatón é um álbum fundamental. Normaliza e estimula el tono intestinal.

Carlos Bêla 23/11/2007 às 2:29 am Johann Sebastian Mastropiero nunca morrerá! esses caras são geniais. grande resenha!

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5 reproduções

The Science Group: Spoors, 2004

★★★★½

The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.

Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.

Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.

Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.

Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)

De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.

Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.

Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).

Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).

Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.

As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.

O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).

Brilhante.

Chris Cutler oficial

Chris Cutler wiki

Tickmayer

RIO wiki

música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

Puscifer: V is for Vagina, 2007


★★★½

Como fã do Tool e do seu vocalista Maynard James Keenan, fiquei curioso em ouvir o seu novo recém-lançado projeto Puscifer.

Boas surpresas:
1- não parece o chatinho A Perfect Circle
2- não parece Tool (tem coisa mais sem-graça que projetos paralelos soarem iguais aos originais?)
3- é bom!

A capa bunitcha, assim como o nome do disco e até do projeto (Pussy + Lucifer? é essa a sacada?) dão um ar meio adolescentóide que o som não tem.
Há uma certa dose de industrial em várias faixas, mas nada forçado ou cliché.

O projeto existe desde 2003, data da trilha do filme Underworld mas, pelo que entendi, esse V Is For Vagina é o primeiro álbum “normal”.

Ouça o disco todo no site oficial.
Página do projeto no Youtube.
página bem completa sobre Maynard James Keenan no wikipedia.


comentários originais:
Richarley Menescal
08/11/2007 às 10:39 am
Gostei muito desse disco. Mas foi impossível pra mim ouví-lo sem ficar imaginando a participação do Mike Patton no adiado novo disco do Massive Attack… hehehe… Sério, em alguns momentos achei a voz do Maynard bem parecida com a do Patton.

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4 reproduções

Chrome Hoof: Pre-Emptive False Rapture, 2007

★★★★

A capa é uma mistura de logo metal com cromados bregas dos anos 80. Só faltou dregadês de azul pro branco e marrons. A primeira faixa já espanta essa impressão causada pela capa, com um post rock nada anos 80. A segunda já tem uma linha mais acessível e um vocal feminino “quase-pop” que entra perto do final da faixa de cinco minutos e meio, numa levada mais feliz. A terceira já vai numa onda post-punk com uma guitarrinha esperta Talking Headiana. A quarta tem um teclado meio John Lord, guitarras pesadas e uma levada disco-circense.

E por aí vai. nada de novo em cada uma faixa, não fosse a junção delas todas não ser uma coletânea e sim o trabalho de uma única banda.

Originalmente um duo de baixo e bateria, o Chrome Hoof é daquelas gratas surpresas. Tem tudo pra virar queridinhos indies. No bom sentido.

Este terceiro disco (considerando um EP) da banda inglesa tem uma variedade surpreendente de instrumentação. Os atuais 9 ou 10 multi-instrumentistas que formam a “orquestra” Chrome Hoof oferecem uma grande variedade de arranjos, sonoridades e misturas. Do metal ao disco, do funk ao experimental, do Goblin ao Mr. Bungle.

Nada previsível, um pouco estranho, mas extremamente acessível.

Um disco pra ouvir várias vezes e continuar sacando as nuances e invenções.

Bem legal!

Myspace

música pra ouvir: Leave This Ruined Husk