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Gravikords, Whirlies & Pyrophones - Vários Artistas, 1996.
★★★½
Boa coletânea de músicas feitas primordialmente por instrumentos inventados, construidos caseiramente.Nesta página você pode baixar o disco, além de saber um pouco mais sobre cada um dos 18 criadores/construtores, originários de várias partes do mundo.

Gravikords, Whirlies & Pyrophones - Vários Artistas, 1996.
★★★½
Boa coletânea de músicas feitas primordialmente por instrumentos inventados, construidos caseiramente.
Nesta página você pode baixar o disco, além de saber um pouco mais sobre cada um dos 18 criadores/construtores, originários de várias partes do mundo.

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24 reproduções

Batida de Côco, segunda faixa de “Infinito”, disco mais recente do Banquet of the Spirits, banda do percussionista brasileiro Cyro Baptista e que saiu ano passado pela Tzadik.

Mais info.: Site Oficial | MySpace

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10 reproduções

DeLeon: DeLeon, 2008

★★★★

Bela surpresa este disco.

Numa mistura original de rock indie, pop, folk, música cigana e sefardita (judaica, vinda de Portugal e Espanha), as auto-denominadas “melodias da pré-Inquisição pós-modernizadas” do quinteto DeLeon são deliciosas de ouvir.

O álbum dessa banda novaiorquina liderada pelo vocalista e guitarrista Dan Saks já mostra maturidade impressionante para o primeiro disco de uma banda formada em abril do ano passado.

As músicas, cantadas em inglês, hebraico ou ladino, além das influências citadas acima, trazem nacos modernos de Animal Collective, Talking Heads ou até Dengue Fever (com quem já fizeram tour).

O mais puro 15th Century Spanish Indie Rock!

MySpace oficial com mais 2 músicas pra escutar.

Aqui você vê o clipe produzido pela própria banda na turnê com Mike Gordon e Balkan Beat Box.

música pra ouvir: La Ner V’Livsamim

comentários originais

Bruno Scartozzoni 27/01/2010 às 7:17 pm Alguém sabe onde baixar esse album? Procurei nos quatro cantos da web e não encontrei.

henrík 26/11/2008 às 10:13 pm soa estranho parece turco gostei.

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10 reproduções

Les Luthiers: Sonamos, Pese a Todo, 1971

por Marcio Nigro

★★★★★

Johann Sebastian Mastropiero é, provavelmente, o compositor fictício mais criativo de todos os tempos. Não conhece? Mas do Les Luthiers você certamente já ouviu falar? Não? Isso talvez se deva ao fato de que você fala português em vez de espanhol.

Criado em 1967, na capital argentina, o Les Luthiers é conjunto musical humorístico mais inventivo e ativo de todos os tempos. Aliás, é um dos fenômenos musicais mais indefiníveis que conheço, o que justifica sua aparição aqui no Aporias .

Durante seus 40 anos de existência, esse quinteto (que começou hepteto, depois sexteto) satirizou diversos estilos: da guarânia ao rock, do tango ao brega, da ópera à bossa nova, em turnês mundiais pelos países de língua hispânica e inclusive os EUA e o Brasil (em 1977 e 1980), com espetáculos em inglês e português, respectivamente.

O que atrai milhares de pessoas aos seus espetáculos não é apenas o fato de serem cantores, multi-instrumentista e compositores incrivelmente habilidosos e geniais. E nem somente a facilidade com que transitam entre o humor ultra sofisticado e o puro pastelão sem perder a classe e o hilariante humor. Mas também o fato de tocarem dezenas de instrumentos informais que foram concebidos por eles próprios (eles contam com um luthier que se dedica exclusivamente a isso).

Afinal, onde mais você verá — e ouvirá — um Latín, um violino feito com lata de presunto? Ou quem sabe o Tubófano Silicônico Cromático, uma espécie de flauta pan construída com tubos de ensaio? Ou ainda o Dactilófano (ou Máquina de Tocar) uma máquina de escrever misturada com xilofone? A cada novo espetáculo do Les Luthiers, um novo instrumento é apresentado, causando delírio na platéia que pode ver ao vivo de onde vem os sons que em seus apenas oito álbum é difícil identificar. Impossível não ficar admirado com um Baixo Barríltono (um baixo acústico feito com um grande barril de madeira deslizante com um músico dentro) ou uma Mandocleta (uma mistura de bicicleta e mandolina) , por exemplo.

Pessoalmente, nunca pude ver o show com meu corpo presente, mas felizmente o grupo já lançou vários DVDs com apresentações de diferentes épocas. Recomendo começar pelo DVD Mastropiero que Nunca, de 1979, que traz o Les Luthiers no ápice, quando ainda era um sexteto. Só para ter uma idéia, em um dos número o excelente pianista Carlos Nunes tem acoplado ao instrumento um espelho retrovisor para ver os demais integrantes à suas costas. Maravilhoso!

E por falar em Mastropiero, é impossível falar em Les Luthiers sem falar em Johann Sebastian Mastropiero, o músico imaginário que é “compositor” de boa parte das obras do conjunto. E para se inciar nas obras de Mastropiero nada melhor do que falar do primeiro álbum do Les Luthiers, Sonamos, Pese a Todo.

Difícil dizer se o disco de estréia é o melhor, mas certamente é o lugar certo pra começar a entender o conjunto. Primeiro porque, logo de saída, são apresentado alguns dos instrumentos informais.

Segundo, dois dos maiores clássicos do Les Luthiers encontram-se nesse álbum. A faixa Concerto Grosso alla Rústica é um primor na união de sofisticação musical, misturando uma orquestras de câmera e um conjunto de música andina com maestria. Nela não há uma piada explícita, o que a torna ainda mais fenomenal, pois só a beleza da composição é suficiente [clique no play deste post]

Já o Teorema de Thales musicado é completamente improvável e imperdível.

Qualquer CD do Les Luthiers vale a pena e é difícil dizer qual é meu favorito. Provavelmente os dois gravados ao vivo: Mastropiero que Nunca (1979) e Hacen Muchas Gracias de Nada (1980, com o clássica La Gajina Dijo Eureka), pois são geniais do começo ao fim.

Agora, talvez seja mais fácil encontrar as músicas a granel. Por isso, para os interessados, aqui vão os melhores momentos de cada álbum que pode ajudar a ir direto ao ponto:

Cantata Laxatón (1972) Bolero Matropiero Pieza en forma de Tango Vals del Segundo

Vol. 3 (1973) Voglio Entrare per la Finestra La Bossa Nostra Romanza Escocesa sin Palabras

Vol. 4 (1976) Teresa y El Oso Mi Aventura por la India Serena Mariacchi

Vol. 7 (1983) Homeje a Huesito Williams

Cardoso en Gulevandia (1991) Una Canción Regia Sólo Necessitamos Añoralgias

É claro que ajuda muito entender espanhol para se apaixonar pelo Les Luthiers. Muitas faixas começam com uma nota explicativa — narrada pela voz bombástica de Marcos Mundstock — sobre o contexto da música na obra de Mastropiero. Além disso, tantos nos álbuns de estúdio como principalmente nos dois ao vivo, existem muitos quadros e histórias musicadas. Sem a compreensão do idioma, muito se perde.

A boa notícia é que os DVDs trazem a opção de legenda em português, o que é bom inclusive pra quem conhece melhor o idioma, pois há muitos trocadilhos e coisas do gênero. Por outro lado, talvez seja missão impossível encontrá-los aqui no Brasil. O jeito é comprar on-line ou pedir para algum amigo que esteja indo pra Buenos Aires comprar.

Enfim, se vira.

Sítio oficial

Wikipedia (espanhol)

música pra ouvir: Concerto Grosso alla Rústica

comentários originais

fernando 25/06/2010 às 11:03 pm Tive a grande ventura de assistir a um espectaculo deste conjunto em Cordoba, ESpanha, em 1997 (98 talvez) e foi simplesmente espetacular

Vera Coutinho 22/03/2010 às 1:29 pm Eu tive o privilégio de assisti-los na década de 70, período muito triste para a Argentina e podem acreditar: eles deixam a platéia sem fôlego. São incomparáveis.

Lulu 26/11/2007 às 11:04 am Cantata Laxatón é um álbum fundamental. Normaliza e estimula el tono intestinal.

Carlos Bêla 23/11/2007 às 2:29 am Johann Sebastian Mastropiero nunca morrerá! esses caras são geniais. grande resenha!

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5 reproduções

Compay Segundo: Lo Mejor De La Vida, 1998

★★★★½

Há quem ache que Buena Vista foi só um truque de marketing do Ry Cooder pra dar uma impulsionada no seu caminho musical, até então meio caído. Há quem ache que ele salvou a carreira de velhos e bons músicos. E há até quem diga que Buena Vista foi um respiro na quase morta música tradicional cubana, que impulsionou um reconhecimento mundial e uma valorização que não se fazia presente há décadas.

Eu concordo com um pouco de tudo isso aí. Mas num tô muito preocupado em pensar e tô muito mais a fim é de ouvir. Fui com a cara dessa “moçada” logo na primeira vez que escutei o som deles, através, como muitas pessoas, do documentário de Win Wenders… a única vez que vi uma sessão normal (não-festival) de cinema terminar com toda sala batendo palmas, de pé.

Mestre Compay Segundo, se não me engano o mais velho da turma, logo me chamou a atenção pelo seu astral absolutamente positivo. Não que os outros não o tivessem, mas o de Compay era contagiante.

Numa fase de pensar na idade, já que fiz aniversário outro dia, e na vida… e no novo ano que começa agora, estou curtindo muito re-escutar discos e músicas que de alguma maneira são importantes e significam algo pra mim.

Este álbum do violinista e cantor cubano, Lo Mejor De La Vida, não é exatamente algo inovador ou genial. Nem é o melhor disco de música cubana que ouvi. Talvez não seja o melhor do Compay também… Mas e daí? Suas interpretações são leves, divertidas, bem-humoradas, pra cima, simples e muito bem acabadas.

Pra que mais?

Fique com a divertida letra da El Camisón de Pepa (Pedro Flores) que dá pra ouvir lá no começo do post:

Pepa tiene un camisón que baila solo una danza, le hace chiquita la panza cuando aprieta el cinturón ya no tiene ni un botón para apretar la varilla, tiene un roto en la rodilla y en otro sitio peor.

El camisón de Pepa tiene historia en la Habana ganó el premio mayor con su singularidad no es de tela ni es de seda ni es un vestido imperial. Por la calle le hace un talle que le gritan a l pasar:

Qué bonita se ve Pepa con su camisón, paseando por la Alameda y por el Malecón.

Qué bonita

Compay, you’re the man! :D

Compay Segundo na wikipedia

música pra ouvir: El Camisón de Pepa

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10 reproduções

Uakti: Trilobyte, 1996

★★★★½

Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.

Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.

Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).

Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.

Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Uakti

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).

Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.

Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.

Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

Site Oficial

Uakti instrumentos

música pra ouvir: Arrumação

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Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.

Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.

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3 reproduções

Shu-De: Voices From The Distant Steppe, 1994

★★★★½

Tô ainda viciado nesse som de Tuva. Esses aqui são ainda mais profissas no gogó que o pessoal do Yat-Kha. Só que o grupo Shu-De vai pra onda mais tradicional e folclórica de Tuva.

Ninguém me tira da cabeça que, se isso fosse cantado numa língua mais universal como o inglês, seria um sucesso! :)

Os decendentes de Genghis Khan cantam, tocam percussão, instrumentos típicos de corda e, destaque aqui, o jaw’s harp - aquele instrumento que ninguém conhece pelo nome mas, se assistiu a algum desenho animado na vida, certamente já ouviu o som peculiar dele.

Vida longa ao gogó harmônico!

veja uma demonstração de jaw-harp.

música pra ouvir: Aian Dudal

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6 reproduções

Tinariwen: Amassakoul, 2004

★★★★

Pois ele é guerreiro

Ele é bandoleiro

Ele é justiceiro

Ele é mandingueiro

Ele é um tuareg

Se liga no vizú dos fita. Style, né? Eles são tuaregs.

Todos do sul do Sahara, mais precisamente Mali, a banda se formou nos campos rebeldes de Coronel Ghadaffi no começo dos anos 2000. Assim como o aqui já comentado Yat-Kha, Tinariwen criou um estilo próprio misturando a(s) música(s) de suas origens tradicionais com baterias e guitarras do rock.

Sua música fala basicamente de questões políticas, repressão, problemas sociais e do exílio. Mas eu não manjo da língua deles pra saber se as letras são bem escritas ou não.

Fato é que a música do grupo é muito rica e gostosa de ouvir. A mistura, como não poderia deixar de ser, é geral. O próprio local de origem deles já é um pastiche sonoro. Os pontos fortes, claro, são a música árabe e a africana, conduzidos por uma guitarra bem Ali Farka Touré. Muitas vezes lembra Blues, só que do Magreb (ou será que o Blues é que lembra o som do norte da África? acho que sim né? :P ).

Sua discografia é curta ainda: 4 discos, sendo o último lançado há poucas semanas (ainda não escutei). Este é o segundo, lançado pela World Village. A produção é muito boa: direta ao assunto, sem aqueles tratamentos polidos que alguns selos ocidentais insistem em usar, achando que, por causa de um reverb longo e uma equalização brilhante, o disco terá mais aceitação entre o público estrangeiro. A parada aqui é crua mesmo.

A condução é basicamente feita por instrumentos de corda - principalmente guitarra - e voz - cujo canto é mais suave que a maioria dos vocais árabes típicos. A percussão é mais tímida e tranquila. A complexidade dos arranjos é particularmente notável, com contrapontos entre as cordas, bem ao estilo africano de múltiplas vozes.

Isso aí é rock de prima.

outra capa do mesmo disco:

música pra ouvir: Oualahila Ar Teninam

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Bahia Black: Ritual Beating System, 1992

★★★

Mais um post carnavalesco. Se liga na banda de apoio: mestre Herbie Hancock no piano, Dr. Wayne Shorter no sax soprano, o tecladista do George Clinton Mr. Bernie Worrell e o experimentalista Sr. Henry Threadgill na flauta.

Que banda hein? E se eu disser que o lider desse grupo aí é o “nosso” Carlinhos Brown? Sim, você leu bem… o cara quem cometeu equívocos irreparáveis como o pop-infanto-juvenil-sorvete-na-testa Os Tribalistas é quem compõe boa parte das músicas do disco e lidera o grupo Bahia Black.

O que catso isso tem a ver com este blog? Bem, só pela mistura bizarra já seria motivo pra estar aqui: a banda já citada acima, adicionada à percussão do grupo Olodum é suficientemente excêntrica pra ser digna de nota. Mas o motivo principal é um só: é um bom disco.

Por mais que você, assim como eu, possa não ir com a cara de Brown nem gostar da música “pop” do soteropolitano nascido Antônio Carlos Santos de Freitas, difícil negar que seja um grande instrumentista.

Claro que tocar bem não faz de alguém um bom compositor mas… ao menos neste disco, Carlito Marrón - como é conhecido na Espanha, país onde possivelmente ele é visto como um cara muito mais cool que aqui - faz um trabalho interessante.

Quem juntou essa moçada toda não poderia ser outro: o produtor (Brian Eno, Ginger Baker, Jah Wobble), “construtor” (Praxis, Arcana), compositor (Material, Last Exit), baixista (Painkiller, David Byrne, Fred Frith), remixador (Bob Marley, Miles Davis) e agregador de músicos que aparentemente não combinam Bill Laswell.

As primeiras faixas são cantadas. Uma bossinha curta de voz e violão Retrato Calado abre o disco, seguida da Capitão do Asfalto que tem uma percussão mais elaborada e um refrão mais pop.

O disco começa a ficar mais legal quando, por coincidência (ou não), Brown pára de cantar. Parece que as faixas nas quais ele canta soam mais previsíveis… mas pode ser preconceito meu.

The Seven Powers é um jazz espetacular composto por Hancock, com a bateria poderosa do Olodum, assim como a atonal Gwagwa O De.

Faixas estritamente percussivas dão um toque legal pro disco como Uma Viagem del Baldes de Larry Wright tocada por Brown e Larry Wright em… baldes; Olodum trás aquele tema típico do grupo percussivo baiano (aqui executado por 10 músicos) e Follow Me, toda conduzida numa única bateria funk, enriquecida de metais percussivos, pelo Tony “Funky Drummer” Walls.

Nina in the Womb of the Forest fecha o disco com uma viagem meio tribal meio experimental, feita com uma mistura eclética de instrumentos percussivos, berimbau e uma flauta de fundo.

Uma experiência auditiva interessante :)

Ah… já que o ano começa agora, feliz 2007!

música pra ouvir: The Seven Powers

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Diogo 24/12/2007 às 6:34 pm Ó o Bêla curtindo carnaval me bateu curiosade de ouvir isso.

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4 reproduções

Vários: Great Jewish Music - Jacob Do Bandolim, 2004

★★★★

Vai chegando o carnaval e post temáticos pipocam nos blogs, tanto dos que gostam quanto dos que não gostam de samba. Aqui a gente tenta ser original e nunca consegue então, lá vai um post carnal-aporia-valesco.

Que tal um Jacob do Bandolim? Apesar de não fazer exatamente samba, é apropriado, não? Mas, ao invés de interpretações tradicionais, temos aqui um tributo feito por artistas do selo de vanguarda Tzadik, de John Zorn.

Jacob Pick Bittencourt (1918-1969) foi um dos grandes nomes do choro. Grande instrumentista e compositor, não gostava de carnaval e sim de frevo. Curiosamente seu primeiro instrumento foi um violino que ganhou aos 12 anos de idade. Desde então sua paixão pela música só cresceu. Autodidata, mando ver no bandolim desde cedo, quando tentava imitar trechos de melodias cantadas pela mãe.

Acompanhou artistas como Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Pra pagar as contas, já que viver de música no Brasil nunca foi bolinho, Jacob trabalhou por muito tempo como escrevente da Justiça do RJ. Mas o bandolim era sua vida. Gravou 52 discos em 78 RPM, 12 LPs além de participações em discos de outros artistas e coletâneas.

A excelente série “Great Jewish Music” da Tzadik tem como proposta fazer interpretações inventivas, avant-garde ou experimentais de, como já diz o nome, grandes músicos judeus. Já fizeram previamente parte dessa série de tributos: Burt Bacharach, Serge Gainsbourg, Marc Bolan (T-Rex) e Sasha Argov.

Este volume trás interpretações não-tão-experimentais quanto os outros, sendo de mais fácil digestão.

O percussionista brasileiro queridinho da cena de jazz de downtown NY Cyro Baptista abre o disco com Noites Cariocas numa interpretação mais fiel possível ao compositor. A partir daí a viagem começa. Ben Perowsky troca o bandolim por uma flauta e faz uma cover bem cool de Pérolas. Rob Burger & Mauri Refosco substituem parte da percussão chorona por uma bateria eletrônica e colocam um acordeon como linha solo.

Pharaoh’s Daughter faz uma versão de Sapeca que parece uma mistura de música peruana com toques de música do leste europeu. A ótima banda Davka faz Receita De Samba virar klezmer. Já Shanir Ezra Blumenkranz vai pro extremo e recria Santa Morena como um grindcore desconstruído. Em compensação, 2 Foot Yard, a banda da Carla Kihlstedt (comentada neste post), faz de Falta-Me Você uma das melhores faixas do disco, com um violino sentimental, um órgão fuzzy, uma guitarra dissonante e uma percussão exparsa de fundo (é esta a música de exemplo abaixo). O disco fecha com um clima estranho e fantasmagórico feito pelo tecladista James Saft cuja linha principal da Ciumento é conduzida por um assobio.

Com exceção apenas de uma ou 2 músicas, as 12 interpetações neste álbum são bem respeitosas… as linhas principais são mantidas. Os arranjos e andamentos são modificados, além da instrumentação, de maneira mais sutil que os outros tributos desta série (que soam mais como desconstruções do que covers).

Um belíssimo disco pela qualidade dos interpretes e, claro, pelo altíssimo nível musical do compositor carioca.

Visite o site do instituto Jacob do Bandolim.

música pra ouvir: Falta-me Você

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10 reproduções

Ray Barretto: Acid, 1968

★★★★★

Safari > New Tab > Google > pesquisar páginas em português. Termo da pesquisa: “Ray Barretto” “Deeper Shade Of Soul” = 1 resultado. Nova pesquisa: “Ray Barreto” Acid = 13 resultados. Uma citação aqui e alí… nada de mais.

Isso me faz pensar… ou todos os brasileiros e falantes da língua portuguesa que gostam de Ray Barretto não usam internet… ou realmente o cara não é nada conhecido por essas bandas.

Uma pena porque o cara foi genial.

Corte de tempo. Eu, no início da década de 90, com 19 anos, mostrando a 3 dos meus melhores amigos uma música chamada “Deeper Shade of Soul” que viria a se tornar o hino da nossa “irmandade”… velhos amigos que se conhecem desde os tenros anos da escola primária.

Vício absoluto. Fantastilhões e quaquilhões de vezes escutada a música da banda holandesa Urban Dance Squad. Mas era deles mesmo? Desde a primeira audição dela, juntamente com o resto do ótimo disco Mental Floss For The Globe (1990), sempre nos pareceu que o “grosso” da música era de samples de uma outra canção mais antiga. Mas o LP não fazia nenhuma referência ao tal sample. Nada.

Corte de tempo. Início dos anos 2000, internet pegando, audiogalaxy ou similar… procuro pela tal música uma, duas, dezenas de vezes. Por meses a fio. Até um dia encontrar um tal de Ray Barretto. Boto pra baixar, sem muita fé, pensando ter encontrado mais um mp3 com tags errados.

Regalo, gozo, regojizo… achei! O romance heróico-brasileiro, ibero-aventuresco, criminológico-dialético e tapuio-enigmático de galhofa e safadeza, de amor legendário e de cavalaria épico-sertaneja* havia chegado ao seu fim pra começar a nova epopéia de descobrir quem é (ou foi) o cara que compôs tal espécime estrepitoso-celebrório-musico fecunda.

Bem, sabendo o nome fica muito mais fácil, não?

O cara “só” foi percussionista do Tito Puente. Ele “só” lançou quase 60 discos, fora as participações especiais. “Apenas” tocou com carinhas tipo Dizzy Gillespie, Count Basie, Wes Montgomery, Charlie Parker, Celia Cruz, Rolling Stones, Bee Gees, entre outros muitos. Colecionou prêmios pelo mundo. Enfim, um monstro.

Monstro por ser um puta tocador de conga (e outras percussões) além de um grande compositor. Tocou de tudo: mambo, salsa, jazz (de vários estilos), inúmeros crossovers, pop, funk, afro-cuban jazz, boogaloo, rock.

Acid é apenas um dos discos solos do americano filho de porto-riquenhos nascido em Nova Iorque que faleceu em fevereiro do ano passado. Calcando fortemente em música latina, soul e funk, com algumas pitadas de psicodelismo, o auto-intitulado Nuevo Barretto fez um disco de 8 faixas absurdamente divertidas, alegres e prazerosas. Fora o jeito de falar, principalmente a palavra “baby”, que só pode ter influenciado a criação do Austin Powers.

Difícil falar em melhor ou pior disco, no meio de tamanho volume de produção e ecletismo musical. Só posso dizer que é um excelente começo. Vale destacar também o álbum Señor 007, de 1966, só com versões de músicas do agente inglês James Bond.

Vida longa à música de Ray Barretto!

Ray Barretto na wikipedia

ray barretto

* devido à imersão na vida e obra de Ariano Suassuna, por causa de um trabalho, não resisti a incorporar essa brilhante definição - retirada do romance A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. :)

música pra ouvir: A Deeper Shade Of Soul

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Rafael Gaudenzi 30/01/2010 às 1:07 pm Falou e disse. Um gênio pouco conhecido por essas bandas. Valeu! DJ Gau.

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3 reproduções

André Popp: Delirium In Hi-Fi, 1957

★★★★

Back to Basics. França, 1957.

Em plena era Space-age Pop, um sujeito, filho de tocador de órgão de igreja, pegou temas conhecidos da época como “La Paloma” e os levou pro estúdio. Com a ajuda do produtor Pierre Fatosme e de inúmeros tape-recorders (daqueles de rolo), gravou as linhas das músicas com instrumentos tradicionais. Então pegou essas fitas e começou a brincar: tocar de trás pra frente, acelerar, tocar duas fitas simultâneas com uma pequena diferença de tempo entre elas, desacelerar muito um trompete até parecer um baixo. Além de efeitos normais como eco, vozes duplas, inserções, montagens de fragmentos…

Até aí nada de mais se pensarmos na história da música erudita eletrônica… mas num disco pop?

André Popp criou um disco revolucionário em sua época. Alucinatório, foi, porque não dizer, um começo da era dos samples. Ouvir esse disco é uma experiência curiosa. Tudo soa divertido, extremamente bem-humorado e até, pros dias de hoje, um tanto naïf.

Mas, apesar do que foi escrito no começo do texto dar a entender o oposto, tudo foi planejado antes da gravação propriamente dita. Até que o disco não tivesse todo rascunhado pelo músico e pelo produtor Fatosme, Popp não gravou nada. A idéia era fugir dos “efeitos sonoros espaciais” tão comuns na época. É, antes de mais nada, um disco de música que, se ouvido sem muita atenção, quase não se nota o que ele tem de mais interessante: justamente a construção das músicas e sonoridades curiosas, devido às manipulações dos tapes.

Um recurso curioso usado pro André neste disco foi o seguinte: pegou uma determinada frase cantada e gravou. Tocou de trás pra frente e pediu pro cantor memorizar para, em seguida, gravar e tocar. Depois disso, finalmente, reverteu o som. O efeito foi único. Eu sei, meu caro amigo metaleiro, que aqueles cabeludos de voz fina fizeram isso na década de 80 mas, veja bem, estamos em 1957… seus ídolos do rock pauleira nem tinham nascido ainda!

Esse disco foi lançado originalmente, sabe-se lá Deus porque, sob o pseudônimo de “Elsa Popping and her Pixielanders” com a (ótima) capa abaixo:

andrepopp2

Popp seguiu com seus experimentos com manipulação de tapes depois disso, além de fazer trilhas sonoras mais convencionais para filmes franceses… mas depois da “grande sacada”, todo o resto soou menos original, porém, com qualidade. Afinal, mesmo antes de ter a idéia de fazer o Delirium In Hi-Fi ele já era um bom e respeitado compositor.

Este álbum foi lançado em CD em 1996.

música pra ouvir: Perles De Cristal

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5 reproduções

Dengue Fever: Dengue Fever, 2003

★★★★½

Diz a lenda que dois músicos americanos foram viajar juntos para o Sudeste Asiático pra conhecer a cultura, música e história locais. Ao chegar em Camboja ficaram encantados. Alguns dias por lá, comendo, bebendo e vivendo com os locais… um deles pegou dengue.

Só que a febre da dengue alterou algo na cabeça dos caras e, ao voltarem pros EUA, decidiram formar uma banda só de Rock Cambojano.

Que tal? Lenda ou não, o som dos caras é extremamente divertido.

David Ralicke no sax e outros metais, Ethan Holtzman no orgão e seu irmão Zac Holtzman na guitarra, Paul Smith na bateria, Senon Williams no baixo e, o único integrante realmente cambojano, a cantora Chhom Nimol.

A cantora vem de uma família famosa de cantores pop de lá. Os outros instrumentistas não são novatos: tocaram em bandas como Beck, Ben Harper, Snoop Dog, Julio Iglesias (!), Dieselhead, entre outros.

Mas piraram. Os braquelas americanos esqueceram de suas influências e montaram o Dengue Fever pra soltar, em plena Los Angeles, todo aquele rock psicodélico cambojano que existia dentro deles.

Eles fazem covers de clássicos (!!) das décadas de 60 e 70 mas também tem (ótimas) composições próprias. Cantando tudo em Khmer, claro, a língua da pátria da cantora.

O som é muito próximo do psicodelismo dos 60’s, tipo Nuggets, com muito órgão Farfisa, guitarras fuzzy e condução rock’n’roll clássico. Em cima, as altamente assobiáveis melodias na voz da Nimol.

Lançaram este primeiro disco em 2003 pelo Web Of Mimicry, selo do Trey Spruance (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3) e, no ano passado, o “Escape From Dragon House” saiu pelo Birdman Recording Group.

Pela novidade (quando escutei), e pelo fato deles tocarem a incrível “I’m Sixteen” (abaixo - original de Sathea, cantora cambojana), escolhi destacar o primeiro… mas o outro não deixa nada a desejar. Ambos os álbuns têm qualidade musical semelhante. Diferem principalmente na produção: a do primeiro é mais “na cara” e seca, menos cheia de delays - a cara dos originais cambojanos - e no fato do segundo disco ser apenas de composições próprias.

O último filme do Jim Jarmusch, Broken Flowers, tem em sua trilha a faixa “Ethanopium”, deste mesmo disco.

Fun!

Site oficial com videos e mais informações

música pra ouvir: I’m Sixteen

comentários originais

riga 24/11/2006 às 3:46 pm: sensacional….divertidásso.

Gabriel Santi 09/01/2007 às 12:05 pm: Olá. Finalmente encontrei a capa desse disco para ilustrar a resenha da revista em que escrevo. Deus te abençoe, rs. Até. PS – Mas é bom demais, hein? O Nuggets continua parindo boas bandas.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

8 reproduções

Kronos Quartet & Asha Bhosle: You’ve Stolen My Heart, 2005

★★★★★

Se tem uma música que eu ando viciado é a indiana pop. Mas, dizer isso não é nada preciso, já que a música popular indiana é absurdamente prolífica. A India, como muitos sabem, tem a maior produção cinematográfica do planeta e, para cada um desses filmes, existem trilhas sonoras extensas, com composições feitas especialmente para esses filmes.

E tem de tudo: pop meloso, hip-hop, rock, reggae, blues, country, bhangra, giddha, clássico, etc, etc, etc. Aliás, chega a ser impressionante a variedade de estilos que os músicos interpretam.

Bollywood é apenas uma (gigante) parte da (gigante) industria cinematográfica indiana. Além de Bollywood, existem outros polos de cinema: Telugu, Kannada, Tamil, Bengali e Malayalam. Bollywood está presente não só na India, como em todo o sub-continente indiano, partes da África, Oriente Médio e Sudeste da Ásia.

Os temas musicais são anteriormente gravadas por cantores e músicos profissionais em estúdio e, na filmagem, dubladas pelos atores principais, com direito a muita dança e coreografias. Algo meio novela das 8 + britney spears + comédia romântica. Sei lá se isso é legal. Nunca assisti um filme inteiro, apenas cenas musicais. Dizem que os filmes chegam a passar de 3 horas de duração. Medo.

É de se imaginar a quantidade de porcaria que aparece, musicalmente falando, no meio dessa vasta produção. Mas, como em qualquer outro estilo musical, sempre tem algo de destaque. E aí é que entra o nome do qual eu não paro de escutar: Rahul Dev Burman. Ou apenas R.D. Burman.

R.D., também conhecido por Pancham (esse apelido veio da época de criança ainda pois, quando ele chorava, diziam que era sempre na mesma nota: a “Pa”, quinta nota na escala indiana) , era filho de um músico clássico e muito conhecido na India, Sachin Dev Burman, ou S.D. Burman. Não é preciso dizer o quanto a música já influenciou o moleque desde os 0 anos de idade…

Antes de assinar sozinho as trilhas, R.D. ajudou o pai por muitos anos. Rahul Dev não era mais um. Ele possivelmente tenha sido o músico e compositor mais eclético que passou pela indústria cinematográfica indiana. E eu não estou exagerando. Manja aqueles que fizeram de tudo um pouco? E olha que foram 331 trilhas sonoras… E ainda era um excelente técnico e produtor que inventou e incorporou efeitos de som, experimentos com tape, à sua música.

(eu poderia ficar ainda falando muito desse cara… acho que vale destacar, numa outra hora, outros discos dele aqui no blog)

Burman foi casado com uma das maiores, mais famosas e queridas cantoras de Bollywood: Asha Bhosle. E é ela mesma que canta nesse disco do Kronos Quartet, gravado apenas com músicas de R.D. Burman.

São interpretações, na sua maioria quase literais, das obras do cara. E o quarteto de cordas se encaixa perfeitamente bem aqui. Embora o Kronos Quartet sempre tenha focado, nos seus 30 anos de carreira, em música erudita contemporânea, moderna, experimental, um dos seus discos de maior sucesso foi o “Nuevo”, de 2002, no qual interpreta músicas de compositores mexicanos - do clássico ao kitch. Puta disco.

Mas esse aqui eu acho ainda mais incrível, pela qualidade musical das composições originais. E, analisando a carreira do quarteto, é certamente o disco mais “corajoso” e diferente que eles lançaram. As interpretações são muito boas, bem no clima das músicas originais e a participação da cantora Bhosle é perfeita, ainda mais pelo fato de muitas das canções originais terem sido gravadas por ela. E a mina não canta pouco não.

Como não daria pra ser literal na interpretação apenas com as cordas e voz, os Kronos Quartet chamaram vários colaboradores. O astro da tabla (percussão indiana típica) mundialmente conhecido Zakir Hussain foi um deles. Wu Man, que toca a flauta chinesa ‘pipa’ e cítara elétrica, também já havia colaborado com o grupo, foi outro. E mais outros tantos instrumentos, como fazia Burman, foram incluídos: baixo, acordeon, farfisa, sintetizadores, theremin, percussão e mais meia dúzia de outros…

O resultado é um disco brilhante. Uma oportunidade única de ouvir clássicos de Bollywood em gravações muito boas (ao contrário das originais). E um belíssimo “pour pori” do Sr. R.D. Burman. O homem, o mito.

Cuidado só pra não ficar viciado no cara como eu estou.

Namasté!

Site oficial do Kronos Quartet.

Sites dedicados a R.D. Burman: Pancham Online e Pancham Magic

Este site disponibiliza várias músicas de R.D. pra escutar (formato Real Audio): ItwoFS

Wiki da Asha Bhosle

Wiki sobre Bollywood

música pra ouvir: Piya Tu Ab To Aaja (Lover, Come To Me Now)

comentários originais

Lulu Camargo 30/10/2006: Shubu Shubu Shubuuuuuu!

Mila 06/11/2006: Parabéns! Não sei se gostei mais do que aprendi com o post ou de ouvir a música. Cheguei no blog por indicação de uma amiga, já vi que vou viciar. beijos

Mari 08/11/2006: Eu já assisti um pedaço de um filme indiano, que durava umas 4h. meus pais estavam vendo e eu entrei na sala pra ver com eles. Cara, gigantesco. Colocaram praticamente um torneio de futebol inteiro no filme. Mas vou te dizer uma coisa… era bem divertido. Quanto ao som, me amarro nessas coisas ‘exóticas’. Já conhecia o kronos Quartet, maravilhoso. Mais uma vez, valeu pela dica!

Mari 08/11/2006: Só mais uma coisa: que música foda, hein? =D